O Quartinho inicia sua trajetória na cena musical alternativa no fim de 2018 bebendo da fonte de um dos ritmos mais populares do Recife: o Brega. Promovendo uma mistura desse elemento com referências como o rock alternativo e o indie, a banda vem cativando os corações do público jovem da cidade, cravando uma identidade musical criativa enquanto carrega a originalidade recifense com uma performance irreverente e contagiante.
Quais são as principais referências e inspirações para o álbum "Desencontro"?
R: Cada integrante da banda tem suas próprias influências musicais que desempenham um papel significativo na criação do álbum. Por exemplo, Zerra, inspirado por Lionel Richie, incorporou elementos dos The Commodores em algumas faixas, como é perceptível em "O Outro". Embora não tenhamos restringido as referências de "Desencontro" a uma única década, é evidente que as influências dos anos 70 permeiam várias composições. Um exemplo é a música "As Margens da Praia", inspirada pelo clássico "Sultans of Swing" da banda Dire Straits. Vindo mais pra perto da gente, temos também algumas métricas e temas pensados a partir da obra de Reginaldo Rossi, assim como linhas ritmicas de clássicos do "Brega das Antigas" das bandas Swing do Amor, Mancha de Batom, Conde e outros. As influências individuais também enriquecem a diversidade musical da banda, como as guitarras mais abrasivas e pesadas de Fernando Alakejá, e os molhos percussivos de Lajamba.
O que o Brega representa para a banda?
R: Um ponto de partida, a vontade de chacoalhar a cena e de mostrar algo novo a partir de um elemento clássico e de bastante identidade local. Representa também uma memória afetiva para o grupo, pois cada um compartilha histórias diversas a partir do gênero. Quem cresceu no Recife e RMR sabe que mesmo se você não escuta Brega na sua casa, você vai crescer escutando ao menos alguma vertente do ritmo de tabela por seus vizinhos, amigos ou familiares.
Flor de Jacinto e Katarina Nápoles (Banda Guma) são as duas participações especiais do álbum. Como essas parcerias surgiram e qual o papel delas no álbum?
R: A parceria com Flor de Jacinto surge de uma coincidência. Ela lançou seu primeiro single na mesma data em que lançamos nossa primeira música: Sem Pressa. A partir daí houve uma troca de figurinhas e a vontade de fazer um trabalho em conjunto, o que chegou na proposta de fazer participação na música "Ventania". Katarina Nápoles é uma artista que admiramos há muito tempo, a banda dela (Guma) é uma influência forte para nós, pois já acompanhávamos enquanto ainda dávamos os primeiros passos como banda. Fizemos o convite para nos acompanhar no show do festival Coquetel Molotov, e dessa participação também surgiu o convite para cantar em uma de nossas músicas, "Madelaine", que abre o nosso álbum. Ambas participações tem como objetivo agregar no conceito da história do disco. Já que falamos muito sobre desamores, os duetos para as canções se torna muito importante na ilustração dos temas.
Quais músicas são indispensáveis para conhecer a essência da banda O Quartinho?
R: Todas as músicas! Ouça nosso álbum de estreia, nele está nossa essência: as gréias, poesias, músicas falando de amor e o swing gostoso do brega. Mas, respondendo a pergunta de fato, indicamos as músicas "Na Curva da Saudade" e "O Outro".
Como a banda se enxerga no futuro?
R: Seguimos buscando cada vez mais experiência no mercado musical. Sabemos que lançar um trabalho conciso como é um álbum pode trazer bons frutos, então estamos tentando extrair ao máximo que isso pode proporcionar, sabe? Estamos experienciando essa fase agora, é tudo muito novo pra gente, mais pessoas vão chegando, nossa percepção musical vai mudando, é um misto de coisas. Enxergamos coisas boas acontecendo. Criar boas conexões artísticas, fomentar ainda mais a cena local, mostrar nossa música para os festivais daqui da cidade e também conhecer palcos de outros lugares está no nossos planos.
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