Baiano radicado em Pernambuco e com passagem pelo Pará, Patrick Tor4 é um dos DJs e produtores musicais mais importantes da cena atual no nordeste. Tor4 se prepara para, em junho, dar início a mais uma turnê pela Europa, compondo a lineup do Coala Festival ao lado de nomes como Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Baiana System, Céu e Rubel.
Por que e como você ingressou na vida artística?
R: "E aí, eu acho que, enfim, não tem uma hora que entra na vida artística, né? Eu acho que a gente sempre tá nela. Eu me recordo de gostar de ouvir música desde pequeno e tem histórias que meus pais me contam com música, com instrumentos, brincando, batucando. Eu acho que a arte sempre esteve ali dentro, né? Pintando, desenhando, tentando cantar, dançando, tocando instrumentos. E a gente vai crescendo desse jeito, eu me recordo sempre de ter relação com música, com cantar, com estar ouvindo música desde muito pequeno e até os dez anos e o início da adolescência e tocar na banda marcial da escola. Tudo isso, né, e me envolver com música mais profissional, depois, por já ter tocado um pouco nessa coisa de tocar na banda do 7 de Setembro, da orquestra, da escola, enfim, é uma coisa que me motivou. E acaba que estar na vida artística foi um pouco, eu não consegui fugir dela não. E não consigo me enxergar fora dela, né, acho que vem da infância, da adolescência, e sempre foi música, sempre esteve ali, e trabalhar com isso foi inevitável".
Você nasceu na Bahia e foi radicado no Recife. Qual sua relação com a cidade e a cena cultural da mesma?
R: "Nascido na Bahia, morei aqui em Pernambuco, criança, com menos de 7, 8 anos de idade. Depois volto lá para o Paulo Afonso, que é o interior da Bahia de onde eu venho. Com 10 anos eu vou para Aracaju, moro lá em Sergipe de 89 até 2009. Faço faculdade, monto bandas, começo a fazer festas, começo minha vida de DJ em 96. E depois de 2009 eu vou para Belém do Pará e só em 2011 que eu venho morar no Recife. Mas o Recife sempre me influenciou muito, a música, a música tradicional, a perspectiva de música pop a partir daqui de um jeito urbano, nordestino, com o nosso sotaque, com a nossa cara, algo que já é da colonial desde sempre nessa perspectiva decolonial. A colonialidade é um tema que está em alta hoje, nos nossos debates sobre música, sobre cultura, mas a cena cultural do Recife sempre foi muito instigante pra mim. Claro que o movimento Mangue, além do fim dos anos 90 e início dos anos 2000, mexe muito comigo. Toda a cena que estava produzindo música que influenciou os nordestinos a se enxergarem, pra eles terem orgulho das suas sonoridades e identidades. E Recife sempre teve uma força muito grande nisso. Acho que é a música que eu faço, que eu produzo, que eu toco, tem muito essa cara desse sotaque e desse jeito de pensar e de olhar o mundo a partir do Recife".
O que mais te contempla desempenhando o trabalho de DJ e o que se pode esperar de uma pista comandada por Patrick Tor4?
R: "Olha, sem dúvida, o que mais me contempla, o que mais mexe comigo é o prazer em compartilhar. Pra mim, discotecagem é mais uma celebração do que uma aula, né, que eu fico ali mostrando coisas que as pessoas têm que conhecer numa perspectiva hierárquica, né, de cima pra baixo, onde eu tô ali mostrando para as outras pessoas como se fosse uma coisa professoral. Eu não acredito muito nisso, não. Possivelmente seja o ambiente que a gente vive, o contexto que a gente vive no Recife, mas eu acredito muito mais na celebração. Claro que uma hora ou outra eu vou estar apresentando músicas novas e que mexe com o público e que, né, a galera se instiga, enfim, mas eu acho que a grande coisa que mais me contempla é de fato é partilhar, celebrar junto. E uma pista comandada por mim eu acho que é muita rebolação, né, quem quer se divertir de fato, quem vai solto e pronto, preparado para se divertir, tem uma pista quente, divertida e com muita rebolação, que eu acho que é o principal foco da minha discotecagem".
Quais são as expectativas para o início de sua turnê pela Europa?
R: "As expectativas sempre muito boas, né, pra viajar, pra tocar. Já é a 18ª vez, eu vou pra Europa desde 2006. E essa vez é diferente, focado em ficar mais em Portugal e Espanha. Tem um festival bem importante, mas o restante é mais encontrar amigos e fazer apresentações divertidas, mas não desbravar lugares, né, esse ano é um ano mais tranquilo, vão ser sete apresentações por Portugal e Espanha e um grande festival, que é o Koala, ao lado de Gil, Baiana System e tantos outros nomes importantes. E, enfim, a expectativa de que vai ser divertido e que vou passar um mês por ir reencontrando amigos e vivendo o verão deles".
Para além de DJ Set, você também é produtor musical, com diversas músicas já lançadas. Como é ver seus trabalhos ganhando vida e sendo tocados até mesmo por outros DJs?
R: "Ah, eu acho que o lance de lançar músicas, de produzir minhas próprias músicas, inclusive trabalhar com outros artistas, é um passo natural e eu acho que é uma coisa que cada vez mais os nossos colegas DJs tinham que se preocupar com isso. Os colegas DJ da cidade eu falo, né? Eu fui ser DJ nos anos 90 porque as festas que aconteciam eu não tocava as músicas que eu queria ouvir. Basicamente foi isso, eu me torna produtor musical e fazer as minhas músicas, eu produzir as minhas músicas com outras pessoas, é o segundo passo disso, né? Tipo, eu fui ser DJ porque as músicas que eu queria não tocavam e eu fui produzir minhas músicas porque eu queria algumas coisas que essas músicas já não estavam trazendo pra mim e eu pude produzir as minhas próprias, então eu acho que é um pouco nesse fluxo. E, ah, perceber outra pessoa tocando, eu vi outra pessoa tocando minha música quando eu tô ali na pista meio, né, e a minha música começa a tocar é uma sensação incrível e acho que é um processo natural e que cada vez mais os colegas de jazz da cidade tinham que provar disso, produzir suas músicas, seus remixes e meter a cara para ir embora crescendo nesse caminho".
Quais são os planos de Patrick Tor4 para o futuro?
R: "Nossa, eu preciso organizar as comemorações dos 30 anos. Agora, em 2024, né, completo 28 anos como DJ em setembro e eu preciso começar a organizar uma celebração para os 30 anos. Eu acho que vai vir um disco, um álbum inteiro, um disco de 10, 12 faixas com muitas participações colegas e remixes. Eu acho que os planos do futuro seria alguma coisa nessa linha, né, celebrar esses 30 anos e lançar um ou dois álbuns com essas minhas produções e composições. Seria isso".
Imagem: Anderson Stevens

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