aCena Recifense entrevista Lunna Montty (BA)


Em mais uma conexão com a Bahia, o aCena Recifense entrevista Lunna Montty, artista abençoada por Beyoncé, que vem ao Recife neste sábado (26/04) para um DJ set especial na festa "AOTY" promovida pelo Club Metrópole!

1. Como a arte surgiu na sua vida e em que momento a carreira como DJ se tornou uma realidade?

R: "Bom, eu já experimentava esse lance de ser DJ desde 2018, nas festas que tinha aqui em Salvador. As pessoas me convidavam para tocar, mas era algo muito aleatório, não era algo muito profissional. Também foi nessa época que eu entrei no coletivo Afrobapho, que é um coletivo LGBTQIAPN+ que apoia artistas jovens negros e no qual atuava enquanto dançarina. Estando nesse meio, as pessoas também aproveitam para me convidar para tocar e eu ia, apesar de que não entendia muito sobre o que significava esse mundo de DJ. Parei de tocar por um momento, porque acreditei que isso não seria algo que eu faria profissionalmente, porém entre o final de 2022 e o início 2023 eu comecei a retornar tocando em lugares muito específicos, como é o caso de algumas boates daqui de Salvador. As pessoas pessoas voltaram a me chamar e eu comecei a querer viver isso profissionalmente desta vez. Percebi que podia juntar a minha dança com a minha sonoridade, então comecei a investir nisso. Comecei a estudar para entender um pouco sobre os equipamentos e aí as coisas foram fluindo. Não imaginei que daria tanta coisa boa e positiva que acabariam me levando para um outro lugar."

2. Quais são as principais influências e referências que permeiam o seu trabalho como DJ?

R: "As minhas influências sempre foram trazidas da cultura preta. Eu sempre pesquisei artistas pretos que me influenciaram muito na minha sonoridade. Do pop, ao afrobeat, ao dancehall, um pouco do house... Tem um DJ que eu sou extremamente fã e que acompanho muito porque ele toca muito house, que é o KAYTRANADA. Ele traz muito também a vibe do afrobeat dentro da musicalidade dele. Eu me inspiro muito no que ele faz. Então eu sempre tento ao máximo trazer referências de artistas pretos para a minha sonoridade. Também gosto de ter o funk nas minhas pesquisas, assim como o pagode baiano, que é da minha cultura, de Salvador, Bahia. Eu sempre tento ao máximo elevar essas sonoridades pretas e periféricas para onde eu for."

3. De que maneira você descreveria uma pista comandada por você para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar isso?

R: "Eu gosto de comandar a pista de uma forma que as pessoas consigam se conectar comigo. Eu sempre tento o máximo interagir com as pessoas que estão ao meu redor, que estão na minha frente, que estão aí curtindo. Tem músicas que são rítmicas tocando com as pessoas, tem momentos que eu vou sair atrás da CDJ e vou dançar... Esse também é um momento de interação muito bom pois sempre tento levar a minha arte em geral também para a pista. Eu vou estar sempre tentando complementar com o que eu faço com a dança também também, não vou ficar apenas de cara para a CDJ. Eu gosto de interagir porque quando eu era o público, eu sentia muita falta de DJs que interagissem realmente com as pessoas que estavam ali, sabe? Então, quando eu trouxe isso para mim especificamente, eu falei: ' Nossa, eu acho que é isso!'. Acho que esse lugar da interação é muito legal e acho que é um diferencial meu."

4. Como foi ser anunciada por Beyoncé na última vinda da cantora ao Brasil e o que mudou na sua vida de lá pra cá?

R: "Falar sobre a Beyoncé ainda é algo muito surreal, porque estamos falando da maior artista viva do mundo, então é algo extremamente grande e vai ser sempre grande. Ser anunciada pela Beyoncé, ser diretora artística do Club Renaissance, tocar no evento dela, trabalhar pra ela, ter isso no meu currículo, é algo absurdamente surreal! A sensação que eu tenho de ter sido anunciada por ela é a sensação de vitória, tipo, eu consegui, sabe? Estamos falando de uma travesti preta retinta de periferia, isso é uma conquista para além de tudo! Não foi um corpo cis que a Beyoncé anunciou, que a Beyoncé pegou na mão, que a Beyoncé falou que amava, que a Beyoncé chamou de linda, sabe? Não foi uma pessoa cis, foi uma travesti preta retinta! Então para mim é extremamente forte falar sobre isso. Sempre vai ser recente, pode passar 10 anos, 20 anos, sempre vai ser recente porque é algo que nunca aconteceu. Eu fui a primeira artista a ser anunciada pela Beyoncé aqui no Brasil, então isso é muito grande! E as mudanças? Obviamente que mudou muita coisa! Rola muito boicote por eu ser um corpo trans, preto, retinto, mas muitas coisas mudaram, sim, para o positivo. As pessoas olham mais para mim, mais para o meu trabalho, mesmo eu já estando na pista há muito tempo. Já são aí quase 10 anos de profissão em geral, então, eu acho que a Beyoncé veio para colocar essa mágica, essa gota de poder a mais, para as pessoas enxergarem que eu existo, sabe? Muita coisa mudou e eu fico muito feliz!"

5. Você possui alguma conexão com a música e/ou cultura pernambucana? Se sim, quais?

R: "Nossa, com certeza! Eu acho que quase todo mundo, quando pensa em Recife, vem logo na cabeça o brega funk. Eu amo brega funk, gente, nossa! É uma conexão muito forte que eu tenho, gosto muito, inclusive eu estou muito ansiosa para conhecer Recife. Eu não sei se eu vou conseguir conhecer todas as coisas de Recife, mas só de sentir a energia da cidade vai ser muito legal, porque eu amo o brega funk. Eu já fiz aula também e sempre toco. Inclusive, quando eu vou tocar em alguns lugares sempre tem que ter o brega porque eu acho chique. Eu amo esse movimento, essa energia, e a mistura do brega com funk. É uma conexão muito válida!"

6. Quais são as expectativas para a festa AOTY? O que o público pode esperar?

R: "Minhas expectativas estão extremamente altas para esse momento, estou muito ansiosa! Eu não gosto de prometer nada às pessoas, eu só quero que elas sintam meu trabalho, que graças a Deus e aos Orixás é um trabalho de excelência! Eu sempre tento ao máximo entregar o meu melhor, porque a mamãe ama trazer o brilho dela para os lugares! Então eu quero que as pessoas me abracem, me recebam bem, até porque eu tenho um coração de mãe, então eu vou estar recebendo todo mundo bem da mesma forma. Eu acho que é isso!"

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