aCena Recifense entrevista Palas Pinho

Hoje o aCena entrevista uma das maiores lendas do brega pernambucano: a cantora e compositora Palas Pinho, conhecida pelo hit "Amor de Rapariga" e líder do grupo Amigas do Brega. Confira!

1. Como você entrou no mundo artístico e por que o brega foi o caminho escolhido?

R: "Comecei cantando em casa com meu pai que era um filósofo boêmio, que sempre gostou  de reunir os amigos, tocar violão e cantar, seja em casa ou em bares, mas sempre regado àquela cervejinha gelada rsrs... Cresci ouvindo a música que ele gostava e que passou a ser também a minha referência. Eram nomes como Reginaldo Rossi, Roberto Carlos, Michael Jackson e Madonna, Pavarotti. O brega de Waldick Soriano, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Orlando Dias, Cauby Peixoto e tantos outros sempre foram mais presentes e os companheiros da cachaça. Acredite: nós, eu e ele, gostamos de música bem feita, música boa!

Eu entrei no mundo artístico através do teatro. Lá recebi o convite pra uma banda de pop rock da Zona Norte. Posteriormente fui convidada pra uma banda de forró e, por fim, entrei na minha primeira banda brega, em 2001. Depois disso, nunca mais saí do brega. Sempre gostei de música boa, música bem feita, então fui aceitando convites e quando recebi o convite para o brega, minha identidade musical começou a ser construída e assim eu comecei a escrever a minha história dentro movimento. Na Banda Metade eu estourei com a música 'Vem me Amar', do Walter de Afogados."

2. Quais foram as dificuldades que você enfrentou, enquanto mulher, ao se iniciar e participar do cenário do brega?

R: ""Quando eu entrei no movimento brega, ele era dominado por vozes masculinas. Além do machismo musical sofri desrespeito com homens que me julgavam por ser cantora e trabalhar na noite. Precisei me impor várias vezes. Nunca fui de levar desaforo para casa, muito menos aceitar ser desrespeitada! Já na atualidade, a mulher segue sendo protagonista do movimento brega. As duas principais referências hoje no nosso estado são mulheres: Priscila Senna e Raphaela Santos, sem contar que no bregafunk elas são referência na dança, e não são poucas! Elas tem um papel importantíssimo, seja social ou econômico. Elas transformam a história e dão voz às comunidades."

3. Com anos de carreira, como é ver hinos como "Amor de Rapariga" chegando até os dias de hoje como uma música atual e sendo regravada por diversos artistas?

R: "Tenho muito orgulho e gratidão por ser a dona do hino atemporal 'Amor de Rapariga' que atravessa gerações e é o principal responsável por minha história dentro do movimento brega. A minha vida se divide em antes e depois de 'Amor de Rapariga'. A música explodiu e deu início à força da mulher dentro do movimento. Fui  a primeira cantora de brega a fazer turnê fora do nosso estado e participei de vários programas por todo o Brasil com a minha banda, Ovelha Negra. Tivemos o CD mais vendido da gravadora Atração, a música mais tocada nas rádios do Brasil, o primeiro lugar em audiência televisiva, música no BBB, capas de jornais e tantas outras coisas, tudo isso sem a força da internet. Eu sou só gratidão e orgulho dessa minha trajetória profissional."

4. Como você enxerga o brega na atualidade?

R: "Eu sempre acreditei na nossa música brega e sonho com o dia em que iremos ver ela no lugar que ela merece e não me refiro a dois ou três artistas, mas sim ao nosso movimento! Ela tem dia, é Patrimônio municipal, é expressão cultural do nosso estado, mas não é respeitada e muito menos valorizada! Isso é notório principalmente quando artistas de fora ocupam o nosso lugar ou, quando somos chamados, é para receber um cachê com o valor de uma banda que está começando."

5. Nos conte um pouco sobre o projeto Amigas do Brega e como se deu a formação do atual elenco da banda.

R: "Amigas do Brega foi uma ideia minha que veio para fortalecer o movimento brega das antigas. Todas as cantoras que passaram por aqui fortaleceram junto comigo a nossa própria história dentro do movimento e hoje todos cantam a nossa música. É maravilhoso ver a nova geração de artistas cantando nossos hinos. Hoje as Amigas não se resume só ao brega das antigas, apesar de ser maioria no nosso repertório, mas já estamos lançando músicas inéditas e regravando canções que não são do nosso movimento, mas que cabem no nosso ritmo. Como o nome já diz tudo, só fazemos brega e não importa o ciclo que estejamos.

"Essa formação começou há 5 anos, quando convidei a Madonna Becker, dona da música 'Mulher dos Meus Sonhos'. Há pouco mais de 3 anos, convidei a Mariana Assis, que alcançou sucesso com a música 'Eu Te Esperarei’. Apesar de não fazer mais parte do movimento brega na época, ela foi indicada pelo meu amigo Vanclécio. Fiquei encantada com sua voz e a convidei para voltar ao brega com as Amigas. Por fim, queria alguém com uma ligação forte ao calypso, algo mais dançante, e foi aí que trouxemos a Raylla, que já tinha experiência em bandas como Companhia do Calypso e Loirinha. É maravilhoso estarmos juntas há mais de 3 anos com essa mesma formação."

6. O que podemos esperar do futuro de Palas Pinho? Quais são as novidades, planos e projetos que podem ser compartilhados com o público?

R: "Vem aí nosso EP de 6 anos das Amigas do Brega, além de um DVD também com o grupo! Quero muito se eu conseguir uma brecha para gravar algo celebrando meus 22 anos no movimento brega. Também quero muito mostrar minhas composições, gravar, dar para outros artistas, mostrar esse meu lado que ficou guardado e que muitos não sabem! Muitas músicas do meu repertório como 'Pode ir Embora', ‘Me Dê Uma Chance', 'Ou Ela ou Eu' e outras são de minha autoria! Enfim, quero trabalhar! Minha mente não para e todo dia nasce uma ideia, um projeto! Que Deus me dê mais essa oportunidade de continuar vivendo muitas coisas boas na música, idealizando coisas inovadoras e podendo continuar sendo referência dentro e fora do movimento. Continuar inspirando outros artistas e somando dentro do cenário musical pernambucano!."

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